… preciso voltar.
Depois de meses sem escrever nada aqui, volto com uma sensação de dever cumprido, de uma tarefa longa, cheia de lágrimas, angústias, dores, e também, repleta de sorrisos e satisfação. De que mesmo quero falar? Acho que ainda do efeito traumático da pesquisa de mestrado. Ou seria de sua superação? Sei lá. Acho que sobre tudo que culminou na vitória, de ter saído quase ileso dessa luta, que não foi nada fácil. Porém, não quero chorar sobre o leite derramado, diga-se de passagem, Leite Derramado foi o melhor livro que li em 2009.
Lamentar não vale mesmo a pena. Levante-se e lute! Ou melhor “quero apenas que se debruce sobre suas aptidões e dedique-se a elas”, essa foi uma das coisas mais lindas que recebi via e-mail. A autoria não pode ser revelada ainda. Mas, digamos que, possibilitou a busca pela força quando mais precisei, não é fácil se sentir no fundo do poço, quando tudo está em seu devido lugar, seus sonhos estão dando certo, começando a acontecer, eis que surge um degenerado e p…, rouba, destrói parte desse sonho.
Período de dor, que juntos, falo eu e Rose, conseguimos, aliás, estamos superando a invasão dos degenerados em nosso lar, lugarzinho simples, mais que construímos nos mínimos detalhes. Bom, falei que não choraria o leite derramado, pois bem, quero que a poesia invade meu ser, permita inferir novas possibilidades, enfim, é isso que quero. Não importa o mal que me deseje, apenas quero acreditar na superação desse sentimento tão ínfimo.
Finalize, ou pelo menos, continuo com as palavras de um dos poetas queridos:
Quero, de Carlos Drummond de Andrade
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.
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