O caderno sempre teve um sentido em minha vida, assim como o livro. As metáforas da vida são expostas através das palvras, objetos, coisas etc. Uma delas, o caderno; aquele comprado com o dinheiro que seria destinado ao arroz, ao feijão ou coisa desse gênero. Dona Inácia (minha mãe) fazia questão de substituir, almejando a satisfação e necessidade dos filhos, pois para ela o sorriso com o caderno superava a falta ou a restrição do alimento.
São nítidas as lembranças do caderno em minha mente, e as palavras caprichadas em cada linha, mesmo
quando o professor pedia que o gastasse, repetindo entre 150 a 200 vezes as palavras que não seguiam a ortografia, quanto desperdício. Já o livro, outro objeto escasso em minha vida. Mais uma coisa é clara, próxima a minha cama na casa da minha quase avó, havia um livro do Fernando Pessoa, os mais belos poemas que por vezes li; não tinha o cheirinho de novo, mas tinha um valor simbólico e sentimento que até hoje não sei calcular.
Outro encontro com o caderno aconteceu recentemente, quando ouvia o CD do Fábio de Mélo, no qual gravou a música O caderno, do Toquinho. Pensei está diante de uma nova canção. Só que se tratava de uma gravação recente, a qual havia sido interpretada por outros ícones da música brasileira, inclusive o Chico Buarque. Nossa! Aonde eu estava que nada disso vi? Ainda bem que a boa música permanece, e como novidade surge na vida de novos leitores.
Outra coisa que faz parte e preenche a ausência remota dos livros são os novos livros, novas imagens que contribuem na compreensão da vida, do ser. Falo agora não de um livro comum, mas de uma obra de arte assinada pelo Roberto Coura e o grande, admirável, Amador Ribeiro Neto que nos proporcionaram tão significante trabalho o Imagens & Poemas. Na ocasião do lançamento, tivemos a oportunidade de tão belo e agradável momento, me senti um personagem em meio aquele ambiente com a brisa batendo no rosto e companhia de pessoas adoráveis.
Recebi o mais carinhoso autográfo de toda minha vida, a sensação de que estava no paraíso, com o livro mais completo de todos os tempos, sem ordem, sem capa, mas com um espaço reservado a dedicatória. A busca por esta página, feita pelo autor, foi a demonstração de humildade que há muito não via. Atentamente, buscava no embaralhamento das partes do livro o espaço para deixar tão belas palavras, as quais nem sei se mereço.
Seja o caderno, o livro mais que sejam as metáforas de minha vida.






