Posts de Outubro, 2008

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My grandmother

Outubro 25, 2008

Em um lugar distante das intervenções urbanas, dos ruídos sonoros, da música eletrônica e alta, das imagens televisivas moravam meus avós, especialmente minha avó Dôra (Maria das Dores Correia da Silva). Convivi com essa realidade por alguns anos, observando e compactuando de um ambiente cheio de inocências e limitações.

Ouvir ao canto dos pássaros, o barulho das águas de um pequena nascente substancial da família, as vozes dos cantadores de viola através das ondas da rádio, com a emoção do também conterrâneo Sebastião da Silva e as “pregações religiosas no Evangelho em sua casa” delimitavam o acesso à comunicação que já havia chegado aos centros urbanos e, ali me encontrava com as palavras através de o jornal que embrulhava mercadorias na feira e os folhetos de cordéis, os quais lia para meus avôs que não foram alfabetizados. As descobertas a cada nova sentença e construção me faziam deleitar e acreditar em uma viagem que na minha imaginação seria a mais importante de todas, em “a princesa do mar sem fim” as rimas me conduziam na interpretação da terra dos sonhos, onde tudo era mágico.

Em uma quarta-feria, dia 21 de outubro de 1992 a minha avó voltava de mais um enternamento hospitalar e, aparentemente feliz queria fazer o que mais gostava, comer. Seu prato preferido era feijão verde com carne vermelha (a qual minha avó chamava carne verde), e essa foi sua última vontade atendida. Minutos depois, realizada pela refeição começa a dar uma volta em torno da casa e senta-se em sua cadeira de balança (espécie de assento da região). O almoço desejado pela minha avó foi compartilhado comigo, já a dor da morte, se é que doeu para ela, dilacerou minha alma, pois era ela a pessoa que demonstrava carinho incondicional por mim. E agora quem vai olhar nos meus olhos, tomar ao colo e dizer: esse é meu neto preferido?!

A dor era tão grande que ainda sinto até hoje. Passados 16 anos as lembranças se fincam na memória, apertando o coração, sagrando e vazando o líquido vermelho em forma de lágrimas. A matéria de minha querida avó partiu, mas o seu maior sonho ficou em mim, quele de ser DOUTOR. Às vezes, as pessoas reiais, as quais são responsáveis pela saída do lugar encantado e a descoberta do mundo real, raras alimentam o sonho, várias tecem juntas planos para derrubá-los que chegam a fazer doer e pensar em desistir. Mas, por ELA e por mim, o sonho não acabou. Um dia, esteja aonde estiver, serei DOUTOR e os méritos não serão apenas meus, mas de uma pessoa simples, humilde, sofrida, dedicada, e acima de tudo uma avó que mirava seu neto com olhos azuis  e expressava docemente o quanto queria o sucesso.

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Six

Outubro 6, 2008

Poderia denominar este dia seis como dia D, mas não convém. Estou inserido no contexto acadêmico, por que não dizer no mundo dos porraloucas, no qual sou um deles.

Finalizando o processo da feitura da dissertação percebo que a academia é uma farsa. Quando a farsa é mascarada por uma maquiagem de primeira, talvez supra algumas lacunas; mais em se tratando de pessoas falsas, apadrinhadas, enfim, abusam do poder que lhes são atribuídos.

A academia é um circo, sou integrante dele, mas não pretendo continuar nesse circo com uma máscara de terceira, quero poder olhar para frente, para os lados, para trás e não usar de falsidade nem tão menos de negligência àqueles que vierem precisar de mim.

Porraloucas somos, então que sejamos porraloucas de caráter!